quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Ainda mais desventuras

Cena I: Escola infantil. Enquanto espero minha afilhada sair do parquinho, uma criança se aproxima.

Criança: "Você é avó dela?"
Eu: "Não, sou tia"
Criança: "Nossa, parece avó"

Cena II: Recepção de consultório ginecológico. Uma velhinha insiste em puxar assunto, atrapalhando a minha leitura.

Velhinha: "O que você acha pior, exame ginecológico ou mamografia?"
Eu: "Nunca fiz mamografia"
Velhinha: "Pois deveria, é imprescindível depois dos 40"
Eu: "Tenho 23 anos"
Velhinha [arregalando os olhos]: "JURA?!"

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Com Veríssimo, minha primeira foto literária!


quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Angústia

Uma agulha imensa, dentro de um coração. Um coração dentro de um círculo preto.
Inspira: A agulha atravessa o coração. Expira: a agulha volta e o coração cai no buraco negro. Inspira...

"Tem dias que a gente se sente como quem partiu ou morreu. A gente estancou de repente ou foi o mundo então que cresceu?" Roda-Viva [Chico Buarque]

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Eu e Minhas Desventuras

JULHO / 2008

[Cenário: Farmácia Pague Menos, enquanto era consultada sobre um creme para pentear cabelos cacheados]

Pretendente: "Você é um brigadeiro"
Eu: "Por quê? Sou uma delícia?"
Pretendente: "Você é doce, mas estou de regime"

ABRIL / 2009
[Cenário: Zoológico Municipal do Recife]

Amigo: "Lu, esse vestido ficou bem nas fotos"
Eu: "Ah, quer dizer que estou bonita?"
Amigo: "Quer dizer que o vestido é fotogênico"


JULHO / 2009

[Cenário: Enquanto eu leio uma matéria de revista na porta do banheiro, minha irmã escova os dentes]

Eu: "Gerard Butler estudou Direito na Universidade de Glasgow, Escócia, e exerceu durante alguns anos a advocacia. Enquanto desempenhou esta função, passou a maior parte do tempo deprimido e tornou-se alcoolatra. Após ter sido despedido, começou a representar. A partir daí, deixou de beber e não coloca uma gota de álcool na boca há mais de 9 anos."

Irmã: "Se você soubesse o teria conhecido enquanto ainda era advogado"

Eu: "Ele estaria bêbado"

Irmã: "Você teria mais chances com um bêbado do que com um ator de Hollywood"

domingo, 14 de junho de 2009

Ontem, Igor me convidou para acompanhá-lo a um casamento. Eveline emprestou o vestido mais sofisticado que ela tem. Elize levou uma maleta com sua maquiagem e me maquiou na faculdade mesmo, enquanto seu namorado esperava resignado para comemorarem o dia dos namorados. Depois do casamento, Jayme me chamou para encontrá-lo em outro evento.
Hoje, Carol disse que a primeira providência das férias será me ajudar a arrumar o meu quarto. Saí de uma festa que terminou cedo e fui andando pra casa de Marcos. Ele me trouxe em casa, a 6 km de onde estávamos, mesmo atrasado para um compromisso vizinho à sua rua. Ainda estava no carro quando Guto ligou avisando que deixara na minha portaria um DVD dos Beattles. Artur também ligou, perguntando se eu gostaria de conhecer umas amigas dele que o aguardavam num bar. Fui e fiz mais seis simpáticas novas amizades.
Foram dois dias intensos, de pequenos acontecimentos e grandes gestos sucessivos. Hoje eu deitei leve e, feliz, agradeci a Deus por ter amigos.
Há uma semana, assisti um discurso emocionado de Alê, em sua festa de aniversário. Ela agradeceu todo apoio e carinho que recebeu quando esteve enferma, com tuberculose. O evento era pra comemorar o aniversário, a saúde, para agradecer a Deus a cura e os amigos que ela nem sabia que tinha. Eu chorei muito ouvindo Alê.
Não faz muito tempo, eu tinha outros amigos. Devia ter desconfiado: dificilmente eu recebia algum convite. Eu achava que aqueles amigos eram um pouco desatenciosos. Um dia, também fiquei muito doente. E tive a surpresa inversa. Pedi a Deus que quando estivesse boa, Ele me presenteasse com verdadeiras amizades.
Em 2007, zerei os contadores. Comecei um curso de inglês. Entrei no diretório acadêmico. Mudei de turno na faculdade. Aliás, comecei uma nova faculdade. E apartir daí, conheci meus atuais amigos de infância. Deus ouviu a minha oração, enxugou as minhas lágrimas, e colocou em minha vida verdadeiros e maravilhosos amigos. No dia da festa de Alê, Artur foi pegar um guardanapo, Biu me deu um abraço e Raíssa disse que, se tudo tivesse acontecido hoje, meus atuais amigos fariam diferente.
Hoje, 13 de junho de 2009, eu deitei lembrando do que Raíssa me disse e sorri, certa de que fui ouvida por Deus.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Toda quarta-feira de cinzas eu lembro, invariavelmente, da sensação que este dia trazia quando eu era criança, em Olinda. Eu acordava cedo, achando o dia mais bonito. E da calçada de casa, acompanhava os turistas descendo as ladeiras carregados de malas, ventiladores e colchonetes. De tardezinha, via a saída da Troça Bacalhau do Batata. Com a derradeira orquestra do carnaval, ela varria os últimos foliões e devolvia a tranquilidade monástica habitual ao sítio histórico. UFA! Acabou o carnaval!

Faz uns dez anos que eu não passo o carnaval lá, pois sempre me despeço do meu pai antes do Cariri receber as chaves de Olinda. Mas ainda hoje não há um só ano em que eu não tenha as mesmas lembranças e o mesmo sentimento. UFA! Acabou o carnaval! =]

domingo, 1 de fevereiro de 2009

No filme, Harry e Sally* cantavam distraídos no karaokê de uma loja de departamentos, quando uma mulher se aproxima e, simpaticamente, apresenta ao ex seu novo marido. Ela cumprimenta o surpreso Harry, que tenta entabular um diálogo breve. Harry se atrapalha com as poucas palavras monossilábicas que usa. Ela finge que ficou feliz em revê-lo. Seu acompanhante finge não se importar com o encontro. Todos se despedem e Sally foi a única que, boquiaberta, não precisou de nenhum disface, já que nunca fez parte daquela relação.

Recentemente, eu presenciei a mesma cena, os mesmos sorrisos sociais, os mesmos cumprimentos superficiais, idênticas máscaras de civilidade e superação as quais os ex casais estão acostumados a vestir quando passam pelo infortúnio de se encontrar. E, boquiaberta, não precisei de nenhum disface, já que nunca fiz parte daquela relação.

Definitivamente eu não acredito que possa existir diálogo, boas maneiras, civilidade, quiçá amizade entre dois ex amantes. A paixão é orgulhosa, possessiva e colérica. O amor não sabe perdoar. É sensível, suas mágoas viram cicatrizes eternas. Para mim, duas pessoas que dividiram corpos e almas não são capazes de voltar no tempo em que sequer se conheciam.

Certa vez um amigo me disse que quando dois escritores escrevem sobre o mesmo assunto, frequentemente um se torna desnecessário. Concordei com ele, pois apesar de acreditar na democracia da escrita e nas variações sobre o mesmo tema, sinto-me incapaz de expressar minha opinião sobre relacionamentos entre ex companheiros com mais propriedade do que Sándor Márai fez. Eu também me considerava exclusiva e diferenciada da humanidade, até abrir um livro e descobrir que nunca houve alguém mais previsível do que eu, já que meu pensamento foi precisamente descrito por um húngaro há mais de 60 anos.

Faço minhas as palavras de Márai:

"Não gosto das separações afetadas, em que os parceiros deixam o Fórum de braços dados, almoçam juntos no restaurante famoso do parque da cidade, são gentis e atencioso um com o outro, como se não tivesse acontecido nada e, depois da separação e do almoço, seguem, cada um o seu caminho. Sou uma mulher de princípios e de temperamento diferente. Não acredito que depois da separação as duas metades do casal possam continuar sendo boas amigas. Casamento é casamento, separação é separação, é assim que eu penso. (...) Acredito nisso porque sou mulher e para mim o divórcio não é apenas uma formalidade, como não é uma formalidade vazia o ritual no cartório diante do notário e na igreja, e sim uma união completa de corpos e almas, definitiva, ou em caso contrário, uma ruptura e uma separação completa de destinos."**

*do filme Harry e Sally - Feitos Um Para o Outro, 1989

** do livro De Verdade, 1941